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domingo, 7 de agosto de 2011

Fogo do Sairé - Maria Lídia

O símbolo do Sairé é um semicírculo, de cipó torcido, envolvido por algodão, flores e fitas coloridas. No centro do semicírculo estão três cruzes e no topo dele uma outra, que juntas representam o mistério da Santíssima Trindade e no topo um só Deus. A imagem da pomba, que representa o Espírito Santo, também faz parte do adorno.

Fogo do Sairé
Maria Lídia
Composição: Maria Lidia/doka Fernandes

Todo julho, todo ano,
Há um festival profano na vila de alter-do-chão,
Onde tupaiús, turistas, mocorongos, anarquistas
Formam uma só nação
Deus tupã se manifesta
E abençoa a grande festa desse povo em comunhão
Coração é alegria, quero dança e cantoria,
Toca, toca espanta-cão


Com a rima na ponta da língua,
Com a dança na ponta do pé,
Vou por terra, ar e água
Para o fogo do sairé


Palavra de ordem, brincar noite e dia
Quem fica parado, estraga a folia;
Rapaz que requebra demais quando dança,
Atraca de popa, não poupa a poupança

Com a rima na ponta da língua,
Com a dança na ponta do pé,
Vou por terra, ar e água
Para o fogo do sairé

Quem vai pro escuro caçar gafanhoto,
Ou pisa na cobra, ou topa com o boto;
Perigo é namoro na beira da praia,
Tem caco de vidro, piranha e arraia


Com a rima na ponta da língua,
Com a dança na ponta do pé,
Vou por terra, ar e água
Para o fogo do sairé


Cigarro que fede a palha queimada,
Papai não suporta e mete a porrada;
Cabra cachaceiro, vê se não fulera,
Na próxima esquina, a polícia te espera


Com a rima na ponta da língua,
Com a dança na ponta do pé,
Vou por terra, ar e água
Para o fogo do sairé


Aqui, catraieiro, te dou um trocado,
Me leva depressa lá pro outro lado;
Ô, dona maria, acabe essa broca
E sirva um peixinho na sua maloca


Com a rima na ponta da língua,
Com a dança na ponta do pé,
Vou por terra, ar e água
Para o fogo do sairé



Clique aqui para ouvir a música:

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dança na mata




DANÇA NA MATA
(Beto Paixão)

A lua é cheia
E o salão está vazio
O povo dança
Na sombra da castanheira
O Amazonas dá sinal que liberou
O amor é livre
E pode ser feito na areia

O boto vem
E vai dançar com a cabocla
Cintura fina
Cheirando a patchouli
Olhos azuis
E dizem que ela é morena
É uma pérola
Que brilha nesse rio

Santarém
Vou além
Dos teus encantos

Ouça a música aqui, ao som do grupo Quarteto Popular.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pôr-do-sol visto da Ilha do Amor em Alter-do-Chão



Filme que registra um lindo espetáculo da natureza: o pôr-do-sol visto da Ilha do Amor, na vila balneária de Alter-do-Chão, município de Santarém, estado do Pará, Brasil. Peço desculpas pelo amadorismo, o filme não está lá essas coisas, pois eu estava preparado apenas para contemplar o por-do-sol e decidi ligar a câmera e ajustá-la às pressas. Ao fundo está o rio Tapajós cuja a outra margem de tão distante não pôde nem ser registrada pela câmera. A trilha sonora que acompanha o vídeo é a música "Eterna Melodia" tocada por Sebastião Tapajós e Gilson Peranzzetta. Prestem atenção nos peixinhos que ficam saltando, parece que eles também queriam contemplar o pôr-do-sol.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Festa do Sairé

Origem da palavra Sairé

A palavra Çairé origina-se dos dois termos Çai Erê, que significa “Salve! Tu o dizes”, que era usada pelos índios como forma de saudação. Entretanto há uma controvérsia quanto a grafia da palavra Çairé. A palavra original é Sairé, mas em alguns momentos a comunidade de Alter-do-Chão, achou por bem, ou talvez por associarem sua derivação à linguagem indígena, passaram denominar a festa com uma nova escrita: Çairé. Entretanto, como pode-se contatar não há na língua portuguesa nenhuma palavra que inicie-se com "ç" e houve uma nova discussão sobre o assunto e por consenso, voltou-se a chamar a festa por seu nome original, Sairé.

Sairé: O Profano e o Religioso

saire

Originariamente, a Festa do Çairé era um baile indígena (puracê), uma "corda em giro", ou melhor, uma espécie de dança de roda conduzida por um "arco", que era o motivo indígena desse préstito e festival, o centro geométrico de um animado puracê (baile). No período da colonização, padres jesuítas navegavam pelo rio Amazonas, catequizando os índios com música e dança - o que deu início a um ritual religioso, que se repete durante o dia, culminando com a cerimônia da noite, com ladainhas e rezas. Esse rito é um exemplo de como foi o missionário mestiçando a fé católica, através da dança e do canto, para catequizar o índio e dominá-lo por fim. Transformou-se portanto, em uma cerimônia religiosa e profana, onde entram nela a reza e a dança. Essa, consistia em passos curtos, como o de marcar passos dos soldados, com um movimento em que uma índia do centro servia de eixo sobre o qual girava o Çairé.


Sairé: A manifestação cultural

Com o passar do tempo, a festa do Sairé foi incorporando características populares com o acréscimo de danças e folguedos. Tais modificações fizeram com que a Igreja proibisse a sua realização em 1943. Somente em 1973, os moradores da vila de Ater do Chão resgataram o evento, conservando mais o cunho folclórico do que o religioso. A festividade era comemorada no mês de julho e posteriormente passou para a primeira quinzena de setembro.

A partir de 1997, foi inserida da festa do Sairé, a disputa dos Botos Cor de Rosa e Tucuxi como forma de enriquecer, difundir e manter viva a lenda mais famosa do povo amazônico. Como descreve a lenda, o boto se transforma em homem belo em noites de lua cheia, encanta as mulheres e seduz a cabocla mais bonita do povoado. A cada edição do Sairé, os botos se enfrentam na arena, desenvolvendo temas diferentes, porém sempre ressaltando a grandeza e beleza do caboclo amazônico.

boto tucuxi boto cor de rosa

O festival do Sairé e os Botos Cor de Rosa e Tucuxi têm como compromisso fazer de suas apresentações um resgate do imaginário poético de uma região abastada em lendas e estórias, além de promover o crescimento e a divulgação da nossa cultura e dos artistas locais. Para este ano, os botos lançaram os seguintes temas: ‘Este rio é minha rua' (Boto Cor de Rosa); ‘O suspiro da Amazônia’ (Boto Tucuxi). A programação oficial do Sairé 2009 pode ser conferida clicando aqui.

Ouça umas músicas típicas da festa

Estava aqui fuçando as profundezas de meu disco rígido e encontrei músicas de um álbum intitulado Çairé 1998 em que as músicas são cantadas pelo cantor Luiz Alberto e Grupo Borari. O nome das faixas eu não possuo. Disponibilizo as músicas para serem escutadas no player a seguir.






FONTE: Wikipedia, Brasil Mitos e Lendas e NoTapajos.com.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Um Poema de Amor

Depois de passar uma temporada em Santarém, e com acesso restrito à internet, estou de volta com os posts. Esse aqui, eu creio que todo santareno que se preze, conhece o belíssimo poema intitulado "Um poema de amor", uma das mais populares obras de autoria de Wilson Fonseca.

UM POEMA DE AMOR
Letra e Música de Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1953)

“... E quando a noite desceu
o poeta escreveu,
sua história de amor.
Tinha a grandeza do mar,
o esplendor do luar,
e a beleza da flor.

Era o romance,
uma linda canção,
nascida do coração.
Hoje, o poeta-cantor
Nada mais tem senão
UM POEMA DE AMOR...”
(Um Poema de Amor, de Amor...)

A seguir você pode ouvir a música, interpretada pela cantora Diane Almeida junto com a banda Quarteto Popular.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Tango Amazônico

A temática do atualismo! Embora seja de mais de uma década atrás, o tema desta música de Nilson Chaves, composição de Luiz Fontana, não deixa de estar presente no dia-a-dia.

Tango Amazônico
Cantor: Nilson Chaves
Compositor: Luiz Fontana

Desde os tempos da Isabel
Já tinha índios abafando no inglês
Nossa Amazônia transformada em cartel
Nossa madeira na borracha e no papel
Do Tupi do Guarani
Só restou o Raoni
E um LP de rock'n roll
Que o Sting lhe deixou
Pelos tempos que passou
Nessas terras de Cabral
Tão roubando pra xuxu
Bem por debaixo do bigode do Sarney
E muita gente que se diz Caramuru
Tá na verdade construindo o Norte-Sul
Pelo bem da economia
Vão fazendo a ferrovia
E serrando nosso pau
Compensando a ecologia
Chico Mendes vira samba
Concorrendo ao Carnaval
Intercede o americano
E o mundo inteiro preocupadocom o País
A Xuxa no poder, Brizola sem saber
Pois nesta terra tudo pode acontecer
Se queima a gasolina, engana a malha fina
e a Rede Globo vai pegando pra valer...
E nas águas do plim-plim
Eu me transformo num herói tupiniquim.
Tira mão do meu terreiro
Esta eu vi primeiro
Tá provado pelo mapa
Teu buraco é mais em cima
Sai pra lá não se aproxima
Pois eu vou contar pro Papa.
Amazônia é minha e ninguém tasca
Não enche o saco vai cuidar do teu Alasca
Isso não se faz onde já se viu
O Tio Sam tirando casca do Brasil.
Isso não se faz onde já se viu
O Tio Sam que vá pra...
Olé!

Ouça aqui a música:

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Carimbó



A mais extraordinária manifestação de criatividade artística do povo paraense foi criada pelos índios Tupinambá que, segundo os historiadores, eram dotados de um senso artístico invulgar, chegando a ser considerados, nas tribos, como verdadeiros semi-deuses. O nome carimbó aplica-se tanto a dança como a música.

Inicialmente, segundo tudo indica, a "Dança do Carimbó" era apresentada num andamento monótono, como acontece com a grande maioria das danças indígenas. Quando os escravos africanos tomaram contato com essa manifestação artística dos Tupinambá começaram a aperfeiçoar a dança, iniciando pelo andamento que, de monótono, passou a vibrar como uma espécie de variante do batuque africano.

Nos anos 60 e 70, adicionaram-se ao carimbó instrumentos elétricos (como guitarras) e passou de uma dança tradicional para um ritmo moderno, influenciando a lambada e o zouk. Na forma tradicional, é acompanhada por tambores feitos com troncos de árvores. Aos tambores se dá o nome de "curimbó", uma corruptela da palavra Carimbó. Costumam estar presentes também os maracás. Hoje em dia os instrumentos que acompanham o Carimbó são: reco-reco, violá, ganzá, banjo, duas maracás e flauta. A união desses instrumentos deu à música do carimbó um ritmo único, envolvente e extremamente sensual.




A dança é apresentada em pares. Começa com duas fileiras de homens e mulheres com a frente voltada para o centro. Quando a música inicia os homens vão em direção às mulheres, diante das quais batem palmas como uma espécie de convite para a dança. Imediatamente os pares se formam, girando continuamente em torno de si mesmo, ao mesmo tempo formando um grande círculo que gira em sentido contrário ao ponteiro do relógio. Nesta parte observa-se a influência indígena, quando os dançarinos fazem alguns movimentos com o corpo curvado para frente, sempre puxando-o com um pé na frente, marcando acentuadamente o ritmo vibrante. As mulheres, cheias de encantos, costumam tirar graça com seus companheiros segurando a barra da saia, esperando o momento em que os seus cavalheiros estejam distraídos para atirar-lhes no rosto esta parte da indumentária feminina. O fato sempre provoca gritos e gargalhadas nos outros dançadores. O cavalheiro que é vaiado pelos seus próprios companheiros é forçado a abandonar o local da dança. Em determinado momento da "dança do carimbó" vai para o centro um casal de dançadores para a execução da famosa dança do peru, ou "Peru de Atalaia", onde o cavalheiro é forçado a apanhar, apenas com a boca, um lenço que sua companheira estende no chão. Caso o cavalheiro não consiga executar tal proeza sua companheira atira- lhe a barra da saia no rosto e, debaixo de vaias dos demais, ele é forçado a abandonar a dança. Caso consiga é aplaudido.




Os trajes da dança Carimbó são os seguintes: homens com blusas lisas ou estampadas sobre calças lisas; lenço no pescoço, chapéu de palha, dançam descalços. Mulheres usam blusas que deixam ombros e barriga à mostra, muitos colares e pulseiras feitos de sementes da região e saias rodadas ou franzidas coloridas ou estampadas, uma influência das danças do Caribe, de origem negra. Usam também, flores ou arranjos na cabeça e vários enfeites ao gosto das dançarinas. Também dançam descalças.

Até o Príncipe Charles não resistiu ao ritmo do Carimbó. A imagem foi registrada durante sua visita à Floresta Nacional do Tapajós em Santarém.




Fonte: Wikipedia

Ouça uns carimbós aqui:

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Feira Santarena

Composição: Emir Bemerguy e Wilson Fonseca

Minha terra tem patchuli
Que perfuma o ar e a cunhantã.
Bolas sei fazer de sernambi
E farinha? Só "Cucurunã"!

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!

Coisas como nós ninguém as tem,
Nem bonecas como tal perfeição.
E a cerâmica de Santarém?
Tudo é lavor de artesão.

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!

Pelo São João tem boi-bumbá,
Brinca-se ao redor do fogaréu.
Há canjica, sim, e tarubá.
Olha o meu balão subindo ao céu.

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!

Temos açaí, maracujá,
Manga, muruci, abiu, caju,
Piquiá, marí, taperebá,
Ata, sapoti, cupuaçu.

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!

O que vou dizer do pajurá
Fruta boa que só existe aqui,
E da especial curimatá,
Peixe inda melhor que o tambaqui?

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!

Ó gigante azul, meu Tapajós!
Amazonas, és fenomenal.
Cobra Grande vai boiar feroz:
Ninguém deve ir lá no aningal.

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!

Pra dar sorte, hein? Muiraquitã!
Eu já comprei um e tenho fé.
E se diz também que é talismã
Ver o Uirapuru. Não sei se é.

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!

Boto grande eu vi matar de arpão,
Mas o principal soube depois:
Olho dele é bom, é sensação
Pra atrair mulher... Me arruma dois!

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!

Se você estiver com bem calor.
Pode conseguir, pra se abanar,
Ventarolas mil, de toda cor!
Venha a Santarém, pois vai gostar!

Eis aí por que te quero bem,
Flor do Tapajós, ó Santarém!


A seguir você pode ouvir a faixa 13 do CD Sinfonia Amazônica 2 da Orquestra Jovem Wilson Fonseca.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sebastião Tapajós



Sebastião Tapajós, nascido em 16 de abril de 1944, natural de Santarém (PA), é um dos instrumentistas brasileiros mais conhecidos no exterior.  Começou a tocar violão aos 9 anos, com o pai. Mais tarde mudou-se para Belém (PA), onde se aprofundou no estudo do instrumento. Em 1964 partiu para Portugal, onde foi aluno do Conservatório Nacional de Música de Lisboa. Estudou também na Espanha no Instituto de Cultura Hispânica de Madrid. Atuou vários anos como concertista na Europa.

De volta ao Brasil, radicou-se no Rio de Janeiro e passou a pesquisar ritmos e sons brasileiros, populares e folclóricos. Não abandonou, entretanto, a carreira de concertista, tocando com orquestras sinfônicas. Bastante popular no exterior, Sebastião Tapajós é hoje um músico consagrado na Europa, onde é considerado um dos violonistas mais criativos e originais, seu estilo de tocar é vigoroso e incisivo, e o som que ele tira do violão é cheio e encorpado. Gosta de utilizar variações de timbre e efeitos sofisticados. Se apresentou um sem-número de vezes durante as últimas décadas. Já lançou mais de cinqüenta discos no Brasil e exterior e acompanhou vários artistas, como Hermeto Pascoal, Gery Mulligan, Oscar Peterson, Zimbo Trio, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Gerry Mulligan, Astor Piazzolla, Paquito D’Rivera, Maurício Einhorn, Joel do Bandolim, Nilson Chaves e muitos outros.

Seu disco "Guitarra Criolla", de 1982, ganhou diversos prêmios na Europa. Em 1997 registrou em disco sua parceria com Gilson Peranzzetta, no CD "Afinidades". Em 1998 compôs a trilha sonora do longa-metragem paraense Lendas Amazônicas. Mais informações sobre discos lançados pelo autor: Clique Music, Loronix, Wikipedia, Allmusic e BrasilMusik.

FONTE: Clique Music e Wikipedia

A seguir alguns vídeos exibindo performances de Sebastião Tapajós.

Aquerela do Brasil:



Sebastião Tapajós e Gilson Peranzeta - Ponte



Sebastião Tapajós no programa Senhor Brasil da TV Cultura.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Da minha terra

Essa música fala tudo o que sente aquela pessoa que está se aventurando pelo mundo a fora e sente muita falta da "terrinha".

Da minha terra
Nilson Chaves
Composição: (Nilson Chaves e Jamil Damous)

Te trago da minha terra
O que ela tem de melhor
Um doce de bacuri
Um curió cantador
Trago da minha cidade
Tudo o que lá deixei
Dentro do bolso a saudade
E na mala o que sei

E eu sei tão pouco menina
Desse planeta azul
Sei por exemplo que o norte
Fica pros lados do sul
Sei que o Rio de Janeiro
Deságua em Turiaçú
Sei que você é pra mim
O que o ar é pro urubu

Te trago da minha terra
O que ela tem de melhor
Tigela de açaí
Bumba-meu-boi dançador
Trago da minha cidade
Tudo o que lá deixei
Numa das mãos a vontade
E na outra o que sonhei

E eu sonhei tanto menina
Londres, Estocolmo, Stambul
Sonhei New York, Caracas
Roma, Paris e Seul
Mas hoje o Rio de Janeiro
Ainda é Turiaçú
Só você pra mim já é
Leste, Oeste, Norte, Sul


A seguir o vídeo da música "Da Minha Terra", de Nilson Chaves e Jamil Damous, que é faixa do DVD "Gente da mesma floresta", gravado em abril/2006 no Itaú Cultural (SP).
Para comprar o DVD: http://www.ladodedentro.com.br
Músicos acompanhantes: Trio Manari, Aderlbert Carneiro, David Amorim e Esdras de Souza.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Hino do município de Santarém

O Hino Municipal de Santarém teve sua letra produzida por Paulo Rodrigues dos Santos em 1948 e sua música original, de Wilson Fonseca, data de 1941. O hino foi oficializado pela Lei Municipal nº 245/71, de 23 de outubro de 1971. Conforme afirma Vicente Fonseca, as primeiras palavras do hino, aliás, aproveitadas pelo Poeta Paulo Rodrigues dos Santos, são de autoria de Wilson Fonseca: "Santarém do meu coração", que revela o seu amor pela Pérola do Tapajós, reafirmado em tantas outras composições, verdadeiros clássicos do cancioneiro santareno, algumas consideradas hinos sentimentais da terra querida, com o caso das músicas Canção da Minha Saudade e Minha Terra Querida.

Letra: Paulo Rodrigues dos Santos (1948)
Música: Wilson Fonseca (1941)

Santarém do meu coração!
Terra mimosa, de paz e de sonhos de amor.
Santarém do meu coração!
Lindo jardim, vivaz canteiro do Céu todo em flor.

Santarém, princesa da luz,
De praias alvas e campinas verdes, rio de anil,
Onde flutuam iáras mil,
Loucas, ao léu na onda azul.
Santarém, meu jardim, meu Pará, Meu Brasil.

Flor das margens virentes,
Formosas, ridentes,
Do meu Tapajós azul
- Azul como o Céu -

Quero cantar meu torrão, Santarém,
Terra de encantos, de amor e de luz,
Onde o Cruzeiro sem véu
Espelha a sombra da Cruz
No Céu.

O player a seguir possibilita-os ouvir o Hino de Santarém conduzido pela Orquestra Jovem Wilson Fonseca sob a regência de Agostinho Fonseca, Faixa 17 do CD "Sinfonia Amazônica - Vol. 1".

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Floresta Nacional do Tapajós



A Floresta Nacional do Tapajós foi a primeira Flona criada na Amazônia, criada pelo Decreto n° 73.684 de 19/02/1974, pelo General Emílio Médici, com uma área aproximada de 600 mil hectares na margem direita do Rio Tapajós - municípios de Santarém, Aveiros e Rurópolis. Em 1996, com a criação do município de Belterra, a maior parte da Flona passou a pertencer a esse município.

Sendo criada de forma autoritária em 1974, a presença das populações tradicionais (ribeirinhos, caboclos e índios) não era admitida na Flona. A legislação naquele tempo tinha uma única receita para a presença humana no interior das áreas: a desapropriação. Conforme relatado em artigo encontrado na Internet, esse incidente gerou uma série de conflitos e comunidades que secularmente faziam uso dos recursos da floresta começaram a perder seu próprio sustento, conforme descreve o trecho:

“ É cedo da manhã. Uma sirene toca. O som vem do rio.... as pessoas que já estão de pé, reconhecem o aviso, abandonam suas casas rapidamente e correm para a mata, levando suas crianças, seus velhos e alguns poucos pertences. A cena ainda hoje está na memória dos moradores das comunidades ribeirinhas da Floresta Nacional do Tapajós (Flona), interior do Estado do Pará, Amazônia brasileira. Corria o ano de 1978 e essa abordagem era a melhor estratégia usada na época pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, o antigo IBDF, para fazer com que as populações moradoras da Flona deixassem de viver na floresta. Os barcos trazendo os funcionários do IBDF chegavam nas comunidades às margens do rio Tapajós, ligavam as sirenes para surpreender as famílias. E, assim, anunciavam que tinham vindo para desapropriar os moradores de suas terras...”




Esse impasse foi aos poucos sendo resolvido a partir de 1994, com o Decreto de Regulamentação das Florestas Nacionais. Diálogos entre o IBAMA e as populações ribeirinhas ajudaram na elaboração do Plano de Manejo. Hoje a FLONA é habitada por aproximadamente 1.100 famílias (estimam-se 6.000 habitantes) que vivem nas cinco áreas habitadas definidas pelo plano de manejo da unidade, elaborado em 2004. São caracterizadas principalmente por serem populações tradicionais que já viviam na área antes de sua criação, mas também com muitas habitantes provenientes de migração posterior. Estão distribuídas atualmente em 28 comunidades, uma sede municipal e em alguns lotes isolados ao longo da BR-163 (distribuídos em 1972 e 1973 pelo INCRA); vivem principalmente da pesca, da caça, do cultivo de mandioca, milho, arroz e feijão para subsistência, da criação de animais e da extração de produtos florestais não-madeireiros.

A seguir você pode ouvir uma música que retrata a vida do caboclo e seu relacionamento com a floresta.

sábado, 16 de agosto de 2008

Amazônia



Essa é uma música de Nilson Chaves que pode ser considerada como o hino da grande Nação Amazônida. É uma de minhas músicas favoritas, pois enaltece minhas raízes amazônicas. Sou um caboclinho do meio da floresta amazônica, tenho sangue indígena Tupaiú, sou da terra de Nurandaluguaburabara, e tenho de orgulho de dizer isso aos amigos daqui do sudeste do Brasil. O fato é que todos nós amazônidas temos orgulho de termos nascido na região mais rica do planeta. Podemos ver hoje os olhos do mundo para a Amazônia.

Logo após a letra existe um player para ouvi-la.

Amazônia
Nilson Chaves

Sim eu tenho a cara do saci
O sabor do tucumã
Tenho as asas do curió
E namoro cunhatã
Tenho o cheiro do patchuli
E o gosto do taperebá
Eu sou açaí e cobra grande
O curupira sim saiu de mim...

Sei cantar o ``tá'' do carimbó,
Do siriá e do lundú
O caboclo lá de Cametá
E um índio do Xingu
Tenho a força do muiraquitã
Sou pipira das manhãs
Sou um boto, igarapé
Sou rio Negro e Tocantins

Samaúma da floresta,
Peixe-boi e jabuti
Mururé filho da sela
A boiúna está em mim
Sou curumim, sou Guajará
O Valdemar, o Marajó, cunhã
A pororoca sim nasceu em mim
Nasceu em mim, nasceu em mim...

Sim eu tenho a cara do Pará
O calor do tarubá
Um uirapuru que sonha
Sou muito mais...
Eu sou... Amazônia!


Ouça aqui a música:

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Dança de tudo

Título: Dança de tudo
Cantor: Nilson Chaves

Nas ondas do mar são grandes movimentos,
A espuma no ar é um belo movimento,
O leito do fundo do rio é o verde alto do mar,
É a mágica dança das águas e seus mistérios
O vento na mata é um grande movimento
As nuvens no ar são leves movimentos
No corpo esse ato de amor explode uma dança no ar,
É o grande momento da terra em seus movimentos
A força do fogo é som, é movimento
O canto do nogo é som, é movimento
E a mente na sua explosão
É o vento no ar da emoção
Desse fogo com a água e a terra no mesmo momento.

Ouça aqui a música:

Epistemologia do Açaí

A etimologia da palavra açaí encontra-se no vocábulo tupi ïwasa'i que significa "fruto que chora", ou seja, fruta que expele água. O açaí é um fruto consumido há muito tempo pelos indígenas e moradores da região amazônica, devido as suas qualidades nutritivas. Além de ter um sabor delicioso e refrescante, é rico em lipídios e vitamina E, que ajuda a combater os radicais livres. A alta concentração de fibras melhora as funções intestinais, percebidas em duas semanas de consumo. A presença de vitamina B1 e o teor elevado de pigmentos anticianianos que são antioxidantes, favorece a circulação sanguínea. Mas, seu componente mais importante é o ferro, indicado no tratamento de anemias e fortalecimento muscular.

Por causa de seus valores nutricionais, o açaí vem despertando o interesse de pesquisadores de todo o mundo. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Pará e coordenada pelo químico belga, Herve Rogez, levantou a tabela nutricional do açaí, permitindo concluir que este é o ingrediente perfeito para um café da manhã reforçado e para praticantes de atividades esportivas, crianças e executivos. Por ser rico em ferro, fibras, fósforo, minerais, gordura vegetal, cálcio, potássio e vitaminas, a fruta parece ter saído do laboratório dos nutricionistas de encomenda para geração saúde. A descoberta dos valores nutricionais do açaí está gerando uma demanda imensa pela fruta em muitos países, principalmente o EUA.

A figura ao lado mostra os processos de obtenção do açaí, desde extração da fruta da palmeira até a preparação da bebida. O caboclo sobe na palmeira e extrai o cacho contendo a fruta. Para preparar a bebida, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ficar de molho na água), para que a polpa se solte, e misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí.

A forma tradicional na Amazônia de tomar o açaí é gelado com farinha de mandioca ou tapioca. Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer com peixe assado ou camarão e mesmo os que preferem o suco com açúcar. As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato. Quando descartadas, servem como adubo orgânico para plantas. Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais, o que não é bem visto pelos habitantes da região Norte, que encaram a mistura como um desperdício de açaí. O detalhe é que isso gerou uma distorção na concepção de consumo da fruta: poucos brasileiros sequer sabem que o fruto é nativo do Norte, muito menos, sabem que é consumido puro.

Na região Norte, tanto humildes ribeirinhos como as classes economicamente mais favorecidas dos grandes centros urbanos consomem açaí sem os artifícios empregados nas outras regiões do país, considerando o açaí de duas classes: o açaí legítimo, sem tais artifícios, e o açaí não-original, que é aquele em que se acrescenta água para dar mais volume e muitas das vezes até amido com intuito de obter mais consistência, comercializado no resto do país.


Coloco aqui a música Sabor Açaí do violeiro amazônico Nilson Chaves (o player para ouvi-la encontra-se disponível após a letra):

Sabor Açaí -
Nilson Chaves

Composição: Nilson Chaves e João Gomes

E prá que tu foi plantado
E prá que tu foi plantada
Prá invadir a nossa mesa
E abastar a nossa casa...

Teu destino foi traçado
Pelas mãos da mãe do mato
Mãos prendadas de uma deusa
Mãos de toque abençoado...

És a planta que alimenta
A paixão do nosso povo
Macho fêmea das touceiras
Onde Oxossi faz seu posto...

A mais magra das palmeiras
Mas mulher do sangue grosso
E homem do sangue vasto
Tu te entrega até o caroço...

E tua fruta vai rolando
Para os nossos alguidares
Tu te entregas ao sacrifício
Fruta santa, fruta mártir
Tens o dom de seres muito
Onde muitos não têm nada
Uns te chamam açaizeiro
Outros te chamam juçara...

Põe tapioca
Põe farinha d'água
Põe açúcar
Não põe nada
Come e bebe como um suco
Eu sou muito
Mais que um fruto
Sou sabor marajoara
Sou sabor marajoara
Sou sabor...

Põe tapioca
Põe farinha d'água...

Ouça aqui a música:

Canção da minha saudade

“Para alguém provar que é "mocorongo" [nascido em Santarém], nem precisa exibir a carteira de identidade ou a certidão de nascimento. Basta demonstrar que sabe cantar: "Nunca vi praias tão belas/Prateadas como aqueles/Do torrão em que nasci...” (Vicente Malheiros da Fonseca – filho do maestro Wilson Fonseca)

A canção tem emocionado gerações de santarenos e até mesmo aqueles que ali não nasceram, mas que a amam pela sua hospitalidade, criatividade, musicalidade e, sobretudo, pelas belas praias que a cidade possui às margens do rio Tapajós.

Cresci nas proximidades do rio Tapajós, bairro da Aldeia, e na minha infância, na época que a água do rio baixava, aos finais de semanas muitas famílias baixavam para tomar banho de rio e curtir a famosa "Coroa de Areia" em frente a cidade. Uma outra opção na época era a praia de "Vera Paz". Quando criança cheguei ainda a tomar banho de rio na famosa "Coroa de Areia" e na praia de "Vera Paz". Mas recentemente as coisas estão meio diferentes. A praia de Vera Paz ficou pro passado após a construção do porto para escoamento de grãos da Cargill Agrícola (existe uma ação no ministério público contra os danos causados - clique aqui pra ver). A coroa de Areia não possui mais a beleza de antes devido a degadação causada pela ação do homem com o grande número de embarcações que por alí transitam e a poluição. A seguir temos a foto de Ronaldo Ferreira que registra a atual coroa de areia e a foto de Edson Queiroz que mostra o porto da Cargill. Não consegui foto que mostrem como eram antigamente a Coroa de Areia e a Praia de Vera Paz, mas a tenho em minhas lembranças e creio de alguns de vocês também a tem. Caso algum leitor possua antigas fotos das duas praias e tem interesse em compartilhar pode enviar que coloco aqui no blog.

Atual praia da Coroa de Areia, em frente à Capitania dos Portos de Santarém. (Foto: Ronaldo Ferreira)

Cargill chegou a Santarém-PA acabando com a praia de Vera Paz.(Foto: Edson Queiroz)

Deixo a seguinte pergunta aos leitores: Será que o homem vai destruir a inspiração do poeta?

Eis a letra da "CANÇÃO DE MINHA SAUDADE" (para ouvir a música você pode usar o player logo abaixo da letra):

Canção de Minha Saudade
Letra: Wilmar Fonseca
Música: Wilson Fonseca (1949)

Nunca vi praias tão belas
Prateadas como aquelas
Do torrão em que nasci!
Da CAIEIRA, do LAGUINHO
(MAPIRI é um carinho)
Onde canta a Juruti.
Nunca vi praia tão boa
Como aquela da COROA
Bem pertinho do SALÉ...
De SÃO MARCOS, tão branquinha
(A candura da PRAINHA)
VERA-PAZ... MARIA JOSÉ!

Bem juntinho àquela serra
Que domina a minha terra,
Tem um pé de sapoti
Onde entoa, sem mentira,
Alegrando CAMBUQUIRA
O seu canto o Bem-te-vi.
Quem me dera em suas águas
Sufocar as minhas mágoas
A beira do Igarapé!
E depois no IRURÁ
(Ó meu Deus, quando será?)
Reviver a minha fé.

Mergulhei já no AMAZONAS
(Não me digas: tu blasonas)
P’ra no TAPAJÓS boiar...
Há encanto em teus jardins
Vicejando benjamins
Que prateiam ao luar.
Tens Maria por padroeira
Essa Mãe tão brasileira,
SANTARÉM DA CONCEIÇÃO .
Se relembro teus recantos,
Ó Jesus lá vêm meus prantos,
Vou cantando esta canção!

Ouça aqui a música:

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Santarém, minha terra querida!


A obra publicada nesse post, letra e música, é de autoria do saudoso e imortal Maestro Wilson Fonseca (Maestro Isoca) intitulada “Terra Querida”. Pra quem está longe de Santarém, ouvir essa música traz ainda mais saudade! Abaixo do poema tem um player que permite ouvir a música.

TERRA QUERIDA
Letra e música de Wilson Fonseca (1961)

Minha terra tão querida,
Meu encanto, minha vida,
Santarém do meu amor,
Deus te deu tanto riqueza,
Enfeitando a natureza
Que inspira o teu cantor.
Que saudade a gente sente
Quando está da terra ausente!...
Dá vontade de chorar...
Vê-se o rio cristalino,
"Rocha Negra" e "Diamantino"
Desfilando no pensar!...

Quando à noite a lua cheia
Vem brilhar na branca areia
Da formosa "Salvação",
O cantor faz serenata,
Entre o rio e a verde mata,
Ponteando o violão!...
E se a noite está serena
Vai cantando até a "Lorena",
Que saudade isto me traz!...
Recordando os teus encantos
Dos meus olhos correm prantos.
Recordar é sofrer mais.

Vi em sonhos encantados
Teus eternos namorados:
Amazonas, Tapajós.
Paralelos no caminho
Disputando o teu carinho
Numa luta tão feroz.
"Ponta Negra" entre os dois rios
Tem suaves amavios
Que eu recordo a soluçar...
Santarém fica defronte,
E as catraias formam ponte
Que ao "Trapiche" vai chegar!...





Ouça aqui a faixa número 2 do CD Sinfonia Amazônica 2 da Orquestra Sinfônica Wilson Fonseca (Participação Especial do Cantor Francisco Campos).